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8 formas de a grande mídia atacar (disfarçadamente) os trabalhadores

30 de novembro de 2019
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grande mídia atacar os trabalhadores

É muito comum a grande mídia atacar os sindicatos e o movimento sindical em geral.

Raramente publicam uma notícia positiva sobre as entidades que representam os trabalhadores.

Isso ocorre porque o modelo de mídia brasileira permite uma concentração exagerada de poder nas mãos de pequenos grupos econômicos familiares.

Por isso, esses grupos agem pelos seus próprios interesses, e não os da população.

Não dá para dizer categoricamente que a velha mídia mente, mas certamente fazem um recorte para contar as coisas da forma que interessa somente a ela e aos grupos de poder com quem possuem ligação, incluindo empresas e partidos políticos.

Mas por que a grande e velha mídia age dessa forma?

Apenas oito famílias definem praticamente todo conteúdo que chega a mais de 200 milhões de brasileiros. Elas comandam mais de 60% dos grandes veículos de comunicação do país.

Você sabe qual é o nome disso? Oligopólio.

Adivinha o que a Constituição Federal diz sobre ele? Ela proíbe.

Você sabe o que é feito para combatê-lo? Nada!

Isso porque os magnatas da grande mídia têm muito poder. As relações estreitas que eles têm com as grandes corporações capitalistas os protegem de qualquer controle democrático – que eles chamam enganosamente de censura (mas que existem na maioria dos países mais desenvolvidos).

Em outras palavras, eles têm carta branca para dizer e omitir o que quiser.  

Não é difícil ver que isso afeta a classe trabalhadora.

Por isso, nós listamos 8 maneiras de a grande mídia atacar (disfarçadamente) os trabalhadores 👇

1. Ser sempre favorável ao mercado

Você já notou que decisões favoráveis ao mercado são tratadas com otimismo pela grande mídia?

📌 Essa felicidade não é por acaso. Por seus interesses bilionários, as corporações midiáticas vendem a ideia de que satisfazer o mercado é sempre o melhor para todos. Até porque os grandes beneficiados são seus bilionários anunciantes.

Prova disso é que 100% das reportagens do Jornal da Record foram favoráveis à aprovação da Reforma Trabalhista. Já o Jornal Nacional falou bem da Reforma da Previdência em 91% dos seus conteúdos. Os dados são da ONG Repórter Brasil.

2. Sufocar argumentos críticos

Quando o argumento agrada à imprensa, ele ganha voz. Quando vai contra, é sufocado.

Um exemplo: para falar bem das reformas dos governos Temer e Bolsonaro, a imprensa geralmente convida especialistas em Economia, dando um tom de neutralidade científica ao argumento.

📌 Quando ela abre espaço para críticas – e já vimos que isso é muito raro –, a tendência é caracterizar a opinião contrária como meramente partidária.

3. Estigmatizar servidores públicos

Estigma é todo atributo – real ou inventado – de um grupo social que, de tanto ser reforçado, acaba sendo reconhecido como sua única marca. E a estigmatização dos trabalhadores afeta principalmente os funcionários públicos.

São várias as campanhas difamatórias contra os servidores, que geralmente são retratados como caros e ineficientes.

A força da repetição alastra esse estigma infundado pelo imaginário social. De tanto a mídia martelar essa mentira, muita gente acredita.

📌 A intenção é, de forma mesquinha, ajudar a reduzir a resistência às privatizações e à entrega do patrimônio público à iniciativa privada.

4. Chantagear

“Se a Reforma da Previdência não for aprovada, o Brasil vai quebrar!”

“Somente a redução de direitos trabalhistas pode criar novos empregos!”

Sabe que nome damos a essa prática da grande mídia? Chantagem!

📌 A tática leva a população a acreditar que apenas a solução proposta pela imprensa pode evitar uma grande tragédia em suas vidas.

Na prática, não passaram de falácias, porque na prática não geraram os resultados prometidos. Mas sobre isso, obviamente, a velha mídia se cala.

5. Induzir interpretações

A narrativa jornalística ajuda a molda a nossa compreensão da realidade.

A grande mídia sabe disso e manipula as interpretações com técnicas sutis que, a longo prazo, se tornam poderosas.  

Isso acontece, por exemplo, quando a edição de um telejornal transmite uma matéria negativa sobre os trabalhadores e, logo depois, outra que elogia a uma retirada de direitos. E repete essa narrativa por meses.

6. Manifestações = baderna

O movimento sindical leva muita gente para a rua. Isso sempre assusta as elites.

Para atacar esse poder de mobilização, a estratégia é tratar quase toda manifestação como baderna. Mas geralmente quando ocorre no Brasil.

Quando ocorrem em outros países, geralmente o mesmo tom não é adotado. Às vezes, é até romantizado.

O mesmo vale para aqueles que lutam por direitos humanos ou em defesa de grupos sociais.

A grande mídia ressalta episódios de violência (que geralmente começam com a repressão policial ou atos isolados “de vandalismo” – geralmente feitos por mascarados que não fazem parte da manifestação, mas se infiltram justamente para que as forças de segurança tenham “justificativa” para reprimir os movimentos) e resume a luta dos trabalhadores a isso.

Infelizmente, muita gente acaba reproduzindo esse pensamento como se fosse verdade.

Isso acontece porque pessoas que lutam por direitos em outros países dificilmente incomodam as elites brasileiras, a não ser quando movimentos se tornam grandes demais e passam a repercutir no nosso país.

7. Criar problemas para vender soluções

O primeiro passo é criar um problema social. Como exemplo, vamos pegar o chamado “deficit da Previdência Social” – que, como já foi comprovado até por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), não existe.

De tanto abordar que os números são deficitários, a grande mídia difunde essa interpretação pela sociedade para, depois, vender a “única” solução: a Reforma da Previdência.

Como vimos no item 4, ela também faz isso por meio da chantagem.

📌 Assim, ela força a busca por uma solução que vai agradar exclusivamente as elites (e de quebra muitos de seus patrocinadores).

8. Cultuar o individualismo

“Maria é mãe solteira e, mesmo com três filhos, tem dois empregos, trabalha 12 horas por dia e é uma empregada exemplar. Hoje, ela tem sua casa própria.”

Você certamente já viu um roteiro parecido com esse na televisão.

A grande mídia se aproveita de histórias comoventes para defender (subliminarmente) que apenas a superação individual pode melhorar a vida do trabalhador.

Em vez de criticar o baixo salário pago à Maria, a mídia a valoriza por conseguir suportar uma vida extremamente desgastante.

Em outras palavras, a mídia está dizendo: se a Maria consegue, você também tem que conseguir!

📌 E isso reforça a ideia de que o trabalhador, e somente ele, é responsável pelo seu fracasso.

Mas só a esquerda combate a parcialidade da grande mídia?

Por muito tempo, somente a esquerda denunciou que a mídia está do lado das elites.

Mas um novo – e estranho – fenômeno surgiu no Brasil recentemente: os setores mais autoritários da sociedade estão acusando a Globo, a Veja ou mesmo veículos reacionários (como a Gazeta do Povo) de serem “comunista”, porque apontem falhas ou suspeitas contra o governo Bolsonaro e colocam ele em situação delicada.

Aqui vai um parêntese: mesmo que concordem com as pautas do governo Bolsonaro, esses veículos ficam em situação delicada se não noticiarem sobre temas que já estão circulando rapidamente, como os ataques aos direitos humanos, o desmatamento ou os crimes cometidos pela família presidencial. Por isso, de certa forma são “forçados” a publicar essas questões que afetam o governo que eles ajudaram a criar e a chegar ao poder.

Mas o pior é que esse discurso contra a grande mídia está sendo construído para agregar apoio político da população às propostas de certas facções políticas, e também para amenizar os temas delicados ao governo.

É uma tática que essas facções e o próprio governo Bolsonaro usam para blindar as mentes de seus seguidores contra os fatos da realidade (por exemplo, a profunda relação entre o presidente e sua família com as milícias do Rio de Janeiro, ou os esquemas de laranjas, os desvios de salários de funcionários de gabinetes e etc).

 E tem muita gente caindo nessa armadilha. Inclusive o trabalhador da sua categoria.

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Equipe Abridor de Latas – Comunicação Sindical

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