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Metade da população do Brasil é negra, mas não está na elite

30 de junho de 2016
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Apesar de negros e pardos totalizarem 50,7% da população brasileira, não se vê sua presença nos maiores cargos no país. Apenas 18% das posições de destaque no Brasil são ocupadas por essa população.

A disparidade é alarmante ao se perceber que negros não estão presentes ou estão em minoria em diversas áreas, como a acadêmica, política, da saúde, ou até mesmo na presidência de empresas.

Esses dados foram constatados por meio de estudo da turma de trainees do jornal Folha de S. Paulo, feito de acordo com os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostrou que, no setor acadêmico, 89,8% dos reitores e vice-reitores de universidades são brancos, 8,2% são pardos e 2% são pretos.

Dentre os atuais senadores brasileiros, 75,3% são brancos, 19,8%, pardos, e 4,9%, pretos. Contando os deputados federais eleitos em 2014, 79,9% deles são brancos, 15,8% são pardos e 4,3% são negros. Desde que Joaquim Barbosa se aposentou, todos os 11 atuais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são brancos.

Em relação aos presidentes dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina (CFM/CRMs), 75% dos médicos são brancos, 3,6% se autodeclararam da cor amarela e 21,4% são pardos – não foram encontrados negros dentre os cargos de elite da medicina.

Na área do empreendedorismo, não existem negros na presidência das 20 maiores empresas brasileiras, e apenas um se identifica como pardo.

O percentual de negros entre os músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) é de apenas 5%, enquanto 79,2% deles são brancos.

“O fato da quase inexistência de negros na elite brasileira resulta do preconceito, da falta de representatividade e da criminalização da população negra”, afirma o cientista político e diretor da agência Abridor de Latas – Comunicação Sindical, Guilherme Mikami.

Um exemplo da pouca representação da população negra é a televisão. As cinco novelas inéditas em exibição na rede aberta têm apenas 15% de atores negros, contra 85% de brancos – sendo que os personagens negros quase sempre têm papel de bandido ou de empregados em posições subalternas, enquanto o homem branco é o mocinho da trama.

A população negra se depara com a exclusão e o preconceito desde cedo, nas escolas e universidades. O índice de estudantes negros diminui de acordo com a evolução do grau de estudo.

Nos ensinos fundamental, médio e, principalmente, no superior nota-se cada vez menos a presença de negros dentro das salas de aula. Dentro das universidades públicas e privadas, sua presença em uma turma pode ser contada em apenas uma mão.

“Existem negros dentro das universidades. Entretanto, muitos deles não estão em aula, mas em outros cargos, servindo como terceirizados de limpeza, manutenção e segurança, por exemplo, e não estudando”, ressalta Mikami.

A questão da mulher negra, ainda, vai além do preconceito pela cor da pele, mas envolve também o seu gênero, o que faz com que ela tenha ainda menos chances de alcançar patamares elevados dentro da sociedade.

“O Brasil ainda não superou sua história demarcada pela escravidão e o racismo. É necessário promover a igualdade de direitos e combater o preconceito que está enraizado na sociedade”, indica o cientista político.

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